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Editorial

Uma política não tão diferente

Israel Silveira

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Nova Serrana é uma cidade que vivencia um momento diferente em sua política.


Essa afirmativa deveria ser verdadeira e essa impressão até mesmo é passada quando olhamos de forma superficial para os atuais agentes políticos, mas quando olhamos um pouco mais a fundo percebemos que as peças mudaram, mas o jogo continua sendo o mesmo.

Vejam inicialmente temos que aplaudir o que tem ocorrido na Câmara Municipal, afinal, na gestão passada a polícia dava batida na Câmara, entrava pelos fundos de madrugada, apreendia documentos, vereadores jogavam dinheiro pela janela, foram detidos por porte ilegal de arma, e até hoje são alvo de uma investigação que colocou na lama o nome já sujo de nossa política.

Agora a polícia entra pela porta da frente, faz discurso em plenário, traz o chefe geral da PCMG, e o dinheiro, que não mais é jogado pela janela, agora é depositado na conta da corporação para construção de uma nova delegacia.

Quando olhamos por esta ótica temos que aplaudir o trabalho que vem sendo feito, afinal, por quanto tempo não se cogitou essa aproximação, que foi por vezes impedida pelo interesse e corrupções dos agentes políticos de nossa cidade.

Contudo quando mergulhamos um pouquinho mais adentro dos corredores de nossa política percebemos que no fundo as coisas não são tão diferentes assim. Não pela forma como as coisas têm sido conduzidas, mas pela atuação dos políticos em si.

Temos por exemplo uma base obtusa, de cabresto, incapaz de pensar no bem da cidade. Os vereadores que compõe a base da administração, assim como na gestão passada são incapazes de ver um palmo na frente do seu nariz. Isso claro porque são em sua maioria capachos de um senhorio que os colocou ali.

Durante a gestão passada foram em sua maioria, servidores, alguns produtivos como o vereador líder do governo, já outros como Dué e Tainá, ocuparam cargos que nem mesmo se tem a noção de qual função ou importância os mesmos tinham para o município.

Os outros dois, Zé Faquinha e Ricardo Tobias, pegaram carona no partido (MDB), e para colherem os frutos dos favores que os elegeram para a casa legislativa, sequer tem o discernimento de aferir sobre a validade de uma pauta para a cidade.

Defendendo os interesses de seu senhorio, os edis da base barraram um projeto que determinaria a prestação de contas de forma mais clara e real a população.

A transparência na verdade nunca foi um forte da atual administração, e os seus peões na Câmara se enchem de argumentos e forças para manter as coisas não tão claras nas terras dos calçados.

Pensando bem, Adilson Pacheco, líder do governo e relator na comissão, pode ter na verdade militado em causa própria. O edil que já barrou a revisão do reajuste, após declarar que é servidor público, ou seja, de certa forma militando em causa própria, escondendo atrás da bandeira do servidor público, alimenta agora talvez o sonho de ser o sucessor do prefeito, fato que foi abortado por Paulo Cesar na última legislatura e que agora pode se tornar uma realidade.

Sendo assim, porque aprovar uma pauta que lhe colocaria em posição de ter que posteriormente, caso realizado o projeto de voos mais altos em 2024, dar satisfação aos vereadores e a população de nossa cidade.

Olhando no macro, vemos ainda que a oposição segue sendo desarticulada para não dizer burra. Tem a maioria da casa e sequer consegue construir um trabalho articulado e coerente com os objetivos da cidade.

Hoje temos, por exemplo, uma câmara que sequer consegue oficiar um diretor de setor em um órgão público, afinal se você não sabe, caro leitor, o diretor da UPA se negou a receber um ofício de dar explicações a Câmara Municipal.

Olhando por esse lado se tem até mesmo saudade do vereador que jogava dinheiro pela janela, mas tinha peito para chutar a porta da UPA e fazer as coisas acontecerem. Não somos a favor da corrupção, tão pouco da violência, mas não podemos ser omissos ao ver um servidor de uma empresa contratada com aval do legislativo, simplesmente fazer nossos fiscalizadores de bobos, ou melhor, mostrar para toda a cidade que, as autoridades legislativas, nem são tão relevantes assim.

Finalizando gostaríamos de salientar que alguns debates como os promovidos na quarta-feira durante reunião de comissões especiais, onde termos jurídicos e embasamentos foram colocados na mesa, não são na verdade a realidade de nossa nova velha política.

Ainda temos na casa, aqueles que não sabem ler uma vírgula, aqueles que falam de si na terceira pessoa, aqueles que chegam ali sem saber a que vieram, e aqueles que defendem seus interesses pessoais, fingindo serem representantes de uma população carente de autoridades que façam política e não politicagem.

Jornalista - 11407 MTb - Editor chefe do Jornal O Popular

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