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Sem inovação, centro-oeste mineiro está aquém da indústria mundial

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Novos conceitos industriais apontam necessidade de investimento em tecnologia em pelo menos 14 setores da indústria brasileira; setor de calçados atinge saturação no mercado interno

Em momento de crise e necessidade de se solidificar no mercado internacional, investimentos em digitalização e modernização do processo industrial é crucial para ampliação dos setores industriais brasileiros.

Segundo estudo inédito “Oportunidades para Indústria 4.0: aspectos da demanda e oferta no Brasil”divulgado este mês pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) dos 24 setores da indústria brasileira, cerca de  14 precisam com urgência de estratégias de digitalização de processos para que sejam competitivos no mercado internacional.

O estudo que foi divulgado, faz um analise e cruzamento de dados de produtividade, exportações e taxa de inovação dos principais setores industriais. A analise também acontece de forma comparativa, avaliando os segmentos nas principais economias mundiais, podendo assim avaliar quais as carências e especificações necessitam de uma atenção maior para solidificação da indústria brasileira no exterior.

O estudo aponta um resultado preocupante para a indústria mineira. Segundo o levantamento em Minas Gerais, dos 14 setores considerados com nível baixo de aderência à Indústria 4.0 (setores que unidos tem representatividade de 40% do PIB nacional), praticamente todos estão defasados e tem limitações para a implantação de novas tecnologias para ampliação do grau de competitividade.

De acordo com o gerente de educação para a indústria do Senai de forma geral a indústria brasileira ainda deve muito quando comparada ao mercado internacional. “A indústria brasileira, como um todo, está bem aquém do ideal no que diz respeito à Indústria 4.0, conceito que começou a ser discutido na Alemanha, em 2011, e que, aos poucos, ganhou corpo e aplicação em países mais desenvolvidos”, diz o gerente de Educação para a Indústria do Senai-MG, Ricardo Aloysio.

Ricardo pondera ainda que quando se trata de empresas em nível estadual, em Minas Gerais mais especificadamente o cenário não é diferente, “temos muitos setores que ainda precisam percorrer um longo caminho para adotar essas estratégias, reduzindo custos, aumentar produtividade e obtendo ganhos de qualidade na produção”, acrescenta o gerente.

Indústria do Centro-oeste está aquém do ideal

Destaque como polo da moda e a principal região do estado quanto a indústria de vestuário, tanto do setor de confecção quanto calçadista, o centro-oeste tem sua indústria ainda de forma defasada e até mesmo rústica, segundo o analista do Senai.

Em Divinópolis o presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Minas Gerais (Sindivest-MG), Luciano Araújo, também vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiemg), acredita que investimentos podem ser feitos no setor.

Apesar do reconhecimento no entanto o presidente do Sindivest-MG reforça que a indústria de confecções na região é reconhecida pelo design e excelência dos produtos. “creio que ainda não estamos dando a devida atenção a aspectos como as inovações digitais nas plantas das indústrias e nos processos produtivos, o que melhoraria nossa competitividade diante de concorrentes, principalmente, de outros países, contudo é importante reforçar que o nosso setor é reconhecido nacional e até mundialmente pela criatividade e pelo excelente design dos produtos”, disse Luciano Araújo.

Hoje a indústria de confecção mineira é formada por cerca de 7 mil empresas  filiadas ao sindicato. Somente em Minas são cerca de 130 mil trabalhadores, que atuam em confecções que em sua grande maioria são micro e pequenas empresas, que passaram por momentos delicados durante a recente recessão e encontram-se descapitalizadas para investir, mesmo que o custo da digitalização seja baixo.

Calçados

Nova Serrana tem hoje o maior polo de produção calçadista do Brasil, e o setor também é integrante da lista dos 14 segmentos considerados de baixo desempenho em tecnologia digital, e apesar da amplitude da indústria novaserranense, a situação em Minas do setor calçadista não é tão diferente da confecção.

Segundo o Sindinova, hoje o polo de Nova Serrana reúne 1,2 mil empresas, com mais de 20 mil trabalhadores, produziu em 2017 cerca de 98 milhões de pares de calçados e movimentou mais de R$ 10 bilhões nos últimos três anos.

Contudo o conhecimento do conceito da Indústria 4.0 chegou a pouco tempo para os fabricantes de calçado. De acordo com o presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias de Calçados de Nova Serrana (Sindinova), Pedro Gomes da Silva, foi apenas há dois meses que ele e outros empresários da região conheceram o conceito.

Pedro Gomes aponta que os conceitos foram passados recentemente em um encontro promovido pelo Senai. “Participamos de um encontro em Belo Horizonte e fomos informados sobre essa nova revolução industrial pelos palestrantes do Senai, portanto, não se pode falar em defasagem, como se estivéssemos simplesmente atrasados na implantação de tecnologias, mas, sim, na ausência completa disso na indústria calçadista de Minas”, finalizou Pedro Gomes.

Competitividade

Apesar de reduzir custos e aumentar a produtividade em todos os tipos de indústria, é difícil mensurar resultados econômicos abrangentes da implantação do conceito de Indústria 4.0 – em um segmento ou em todo o setor produtivo de um estado ou país.

Conforme o estudo divulgado pela CNI sobre o estágio da Indústria 4.0 no Brasil, a velocidade de disseminação das tecnologias habilitadoras dessa revolução indica que a chegada e a consolidação dela será muito mais rápida, se comparada às revoluções industriais anteriores.

Segundo a CNI, a necessidade desse salto tecnológico se dá especialmente pelo fato de a produtividade da indústria nacional ter caído durante 10 anos consecutivos na comparação com outros países, até 2014.  Esse problema, associado às dificuldades de inovação, aumentam a distância entre o Brasil e as economias mais ricas do planeta.

 

* Fonte: Jornal Hoje em Dia

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