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Editorial

Por Luana, pelas Francisca e Marias

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“Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada”.

Eduardo Alves da Costa, autor do trecho acima citado, que faz parte de um poema intitulado No Caminho com Maiakóvski, trouxe a nós neste trecho o fato de que por falta de postura, por falta de uma intensificação maior de nossos atos acabamos colhendo consequências duras e dolorosas em meio ao silêncio do sofrimento.

Essa é uma realidade que vivenciamos em um país onde os agressores, os criminosos, os bandidos são privilegiados, por uma lei que é incoerente, por um sistema que é corrupto e por uma população que se atem ao sofrimento.

Sim caro leitor, estamos falando aqui sobre nossa omissão como população diante de um vasto histórico de crimes, de fatalidades de situações onde por não termos feito nada anteriormente já não podemos mais agir.

Nesta terça-feira uma jovem de 22 anos foi vítima de um homicídio, onde o assassino de forma covarde levou a vida de uma jovem que tinha sonhos, metas e desejos, e por entender que seu ex-namorado não fazia mais parte desses sonhos teve sua vida levada.

Esse caso apesar de ser uma fatalidade faz parte de uma imensidão de histórias semelhantes no Brasil. Somente em 2017 foram 4.473 homicídios dolosos contra mulheres. A cada dia 12 mulheres são assassinadas em nosso país que tem a quinta maior taxa de homicídios de mulheres do mundo.

Destas 12 mulheres mortas por dia aqui no Brasil, pelo menos sete são vitimas de violência familiar e esses crimes acontecem justamente porque as agredidas, as famílias, as pessoas que são vitimadas optam por se manterem caladas no início das agressões.

Luana a jovem morta em Nova Serrana já havia inclusive comunicado a justiça quanto aos abusos, existe registro criminal por lesão corporal e outro por descumprimento de medida protetiva, quando o suspeito foi preso.

Assim caros leitores, atribuímos esse fatídico acontecimento a um sistema que não funciona, afinal algo havia sido feito, porém nossa justiça que prioriza o infrator, vitimou mais uma mulher em nossa cidade.

Diante de tudo isso nós cidadãos, que observamos diariamente esse tipo de acontecimento nos omitimos e não damos coro às vozes das mulheres que são vitimas de agressão por parte de seus companheiros.

Nós não intensificamos a cobrança quando as injustiças cometidas no Brasil, e se tivéssemos o mesmo senso de dever social para lutar por mudanças constitucionais quanto temos para defender nosso time do coração, politico de estimação ou bater boca por partido político na internet, sem duvidas as coisas já seriam diferentes.

Acontece que nos omitimos afinal em briga de marido e mulher ninguém mete a colher, e quanto ninguém faz nada, milhares de mulheres são dizimadas ano após ano, porque chega um ponto onde elas já não têm mais voz para pedir por socorro.

Hoje O Popular está de luto, e sinceramente não é de hoje que estamos tocando em assuntos delicados e abordando temas polêmicos e importantes para a sociedade.

Mas diante desses temas os debates são limitados, a maioria dos leitores prefere discutir sobre os carros comprados, sobre administração pública, preferem bate ou bajular demasiadamente políticos ou quaisquer outros pontos fúteis como a recuperação do Neymar e a possibilidade do Brasil sediar a copa.

Se você é um bom leitor, gastou em torno de 10 minutos para ler esse editorial, e para seu conhecimento, durante esses minutos cerca de 23 mulheres foram agredidas. Sim em nosso país a cada hora cerca de 500 mulheres sofrem agressões, físicas, verbais e/ou morais.

Nesta hora em que escrevemos este texto cerca de 500 mulheres foram vitimas de atos covardes, e por Luana, pelas Franciscas e Marias decidimos que não vamos nos calar, não vamos dar aos agressores o direito de nos ferirem e por não temos mais voz não podermos fazer mais nada.

Por Luana, pelas Franciscas e Marias, decidimos firmar nosso compromisso em ser essa voz que vai lutar pelo fim dessa barbárie e brigar para que no Brasil as leis efetivamente defendam as vitimas dos inimigos íntimos que estão ao seu lado.

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