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Nova Serrana e a gestão do improviso

Léo Junqueira

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Não é de hoje, que em meus artigos falo e comento sobre a falta de um planejamento da prefeitura e suas ações. Já tive a oportunidade de falar com secretários municipais, assessores e até o próprio prefeito sem nunca ouvir deles qualquer comentário sobre um plano de gestão, um pequeno projeto que seja e acho, que por isso, nada aconteceu.

Os improvisos não faltam, “jeitinhos” tem pra todo lado assim como as explicações, justificativas e falta de humildade para reconhecer, que até as respostas ditas à população mostram uma grande dose de improviso.

Lembro, que durante a campanha política, Nova Serrana se dividia abertamente entre dois candidatos: Joel Martins e Paulo Cesar, dois ex-prefeitos que governaram a cidade com planos e projetos. Seus trabalhos agradaram a muitos e desagradaram a outros. Independente de satisfações atendidas, o importante é que eles, no mínimo fizeram suas obrigações.

Por exigência da minha atividade profissional, acompanho todos os dias, vários grupos nas redes sociais. Muitos são de Nova Serrana e outros tantos em cidades da região e posso garantir uma coisa: a decepção que vejo nos comentários nos grupos da capital do calçado são muito maiores que nos outros.

A capacidade de improvisar, que a atual administração tem é de impressionar. Os erros cometidos são tão perfeitos, tão caprichados que até parece que foram cometidos propositalmente a partir de um projeto detalhado. A falta de “certo pudor” para com a máquina pública chega a incomodar a população de uma forma geral.

Querem um exemplo?

Darei vários, a começar pelos mais comentados, quando o prefeito aparece com a mão da enxada capinando lotes, com a vassoura e rodo lavando entrada de escolas ou viajando pra Goiânia para conversar com diretores da empresa concessionária da BR 262.

O que isso produziu de benefícios para a cidade? Onde estão os aliados políticos para acessar ao governo estadual ou federal?

Mas, o melhor dos improvisos foi o fechamento de trevo e ruas usando containers. Outro improviso muito bom foi a explicação do secretário de obras sobre a ponte do bairro São Geraldo ou sobre a demora na reconstrução da ponte no Jardim do Lago.

Improvisar respostas é a seiva necessária para a construção de uma grande mentira e é este o caminho, que a prefeitura segue com aparente determinação.

Bastou o vereador Willian Barcelos apenas pedir para ter acesso aos contratos de licitações para uma mobilização impressionante de secretários e assessores se movimentar com explicações preparadas com mais improvisos. Improvisar é a regra, assim como o “náufrago improvisa sua embarcação depois do naufrágio”.

Quero dizer, que o senhor Euzébio Lago não errou inteiramente em algumas de suas escolhas políticas. Talvez ele tenha apenas improvisado, pois nas placas de inaugurações realizadas em outras gestões, seu nome aparece em muitas delas, como vereador e até presidente da Câmara Municipal.

Sua eleição em 2016 mostrou que a população queria mudanças e aceitou o custo de errar na escolha. Infelizmente não será preciso improvisar um prognóstico, que o “governo da mudança” será lembrado como “o governo do improviso”, antes de assumir outros rótulos mais agressivos.

Disse o atual prefeito na campanha política em 2016, num debate transmitido pela rádio entre ele e o então candidato e ex-prefeito Paulo Cesar, quando esse falava de seus trabalhos e suas realizações: “O senhor não fez mais que sua obrigação!”. Realmente, Euzébio Lago tinha razão, porque acompanhou o ex-prefeito Paulo Cesar em obras planejadas e bem definidas.

E Nova Serrana o elegeu para 4 anos de governo sem saber, que o atual prefeito ainda não sabe quais são suas obrigações. Talvez, ele ainda precise de mais tempo para improvisar sua patética despedida.

LEONARDO VELOSO JUNQUEIRA é daqueles publicitários da época romântica, quando a comunicação ainda era feita com base no talento criativo. Foi sócio fundador da Insight Comunicação durante 22 anos prestando serviços de comunicação e marketing a grandes empresas, como Pastifício Santa Amália, Riclan (fabricante do Pircóptero e drops Freegell’s), Cera Inglesa, Calçados Jacob (Kildere), Café Brasil, Balas Santa Rita entre outras grandes empresas que fizeram histórias de sucesso. Trabalhou em grandes agências de publicidade em Minas e na área política, como publicitário, assessorou as prefeituras de Uberlândia, Varginha e Divinópolis além de desenvolver e coordenar inúmeras campanhas políticas, das quais destacamos a eleição de Zaire Rezende (Uberlândia), Maurinho Teixeira (Varginha), Paulo Tadeu (Poços de Caldas), Galileu Teixeira (Divinópolis), Paulo César (Nova Serrana), Toninho André (São Gonçalo do Pará) além de vários deputados estaduais e federais. Léo Junqueira é consultor de marketing, compositor, violeiro, escritor e colunista do Jornal O Popular

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