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Medo e esperança

Willian Barcelos

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O que legitima o poder é o povo. Assim, quando um representante vence um pleito democrático, lhe é concedida a legitimidade para governar. E como ele vence? Na verdade é como se todo o poder de um Estado tivesse sido dividido em partes iguais e distribuído aos cidadãos. Cada um destes oferece a sua parte de poder a um dado agente, que gozando da maioria das partes, passa a exercer a administração dos interesses, não somente daqueles que assinaram a procuração, através do voto, mas de todos, sem discriminação.

Mas será que é assim, na prática? Claro que não. O que vemos de canto a canto neste país é uma política do toma lá, dá cá, muito mais intensa nos bastidores, entre apoiadores, que de “câmaras hostis” ou de “supostos opositores”. E tem governante que se sente assombrado, pois o inimigo não mora ao lado, mas dentro de sua própria residência. Não há como se livrar dele, até porque, normalmente ele não tem escrúpulos e vai jogar para fora tudo que sabe se for descartado.

Aí, a solução é viver refém de seus próprios aliados, fazendo todas as suas vontades, ainda que vez ou outra haja tapa na mesa e a demonstração midiática que o governante é quem detém o controle das coisas. Na verdade, o controle foi perdido quando os compromissos escusos foram assumidos, quando gente desqualificada foi incorporada aos quadros do funcionalismo inchando a máquina que deveria ser muito mais enxuta e eficiente.

E para que o tapa na mesa? Certamente é porque o governante tem orientação de Maquiavel, ou de um de seus discípulos, cuja receita para a perpetuação no poder vigora através da união de dois componentes: a força do governante e o medo dos governados. Contudo, a filosofia mais recente demonstra que os tempos mudaram, e não se pode dominar um grande número de pessoas por muito tempo. A força do governante não pode ser legitimada por um povo amedrontado.
Chega uma hora que o gigante acorda, o Davi vence o Golias, a razão vence a espada.

Uma tragédia causa agonia durante toda trama, mas é a certeza da vitória que nos faz permanecer nela até o “gran finale”. Todos têm medo. Pois na maioria das vezes é ele que nos serve de freio. O importante é não deixar que ele nos sucumba. Pelo contrário, deve ser o alimento diário. E quanto mais intenso, é porque já estamos a um passo da margem que nos levará à travessia.

Se lendo tudo isso, o leitor ficou meio perdido, saiba que as frases quando metaforicamente postas, apresentam sentidos distintos e especialmente próprios para cada contexto ou cidadão. Portanto, aplicam-se a vários episódios, a lugares diversos, mas com o intuito de atingir o âmago e (re) nascer a esperança.

Esperança que a vitória um dia chega, seja difícil, seja com luta, seja com determinação. E trago para esperançar o nobre leitor, uma série de ensinamentos de Gandhi: “o primeiro passo para a vitória é o desejo de vencer”; “a alegria está na luta, na tentativa, no sofrimento envolvido, não na vitória propriamente dita”, e que nosso medo seja menor que a esperança, já que os opressores não passarão, afinal, “a vitória alcançada pela violência [perseguição] equivale a uma derrota, pois é passageira”. Uma ótima semana a todos.

WILLIAN FERREIRA CARLOS BARCELOS é professor e agente político. Licenciado em História, especialista em Administração Pública, Docência do Ensino Superior, Gestão de Recursos Humanos e Meio Ambiente, mestre em Educação, Cultura e Organizações Sociais.

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