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Editorial

Entrar na vida pública tem suas conseqüências!

Israel Silveira

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De quatro em quatro anos, uma gama significativa de pessoas em todas as cidades do país se colocam como candidatos a um cargo público. São empresários, pais de família, pessoas que até tem uma notoriedade social, mas que até então não são pessoas públicas.

Ao se colocarem como candidatos, no entanto, são expostos e se tornam pessoas públicas, e isso tem um preço a ser pago.

Imediatamente ao se tornar uma figura pública, uma série de fatores que anteriormente seriam levados em consideração deixa de ter peso e relevância, uma vez que estar na vida pública, torna públicas particularidades que antes eram pessoais.

Nesta edição do jornal O Popular, trouxemos na capa uma matéria que expõe questões financeiras de seis candidatos. Seis pessoas de nossa cidade que segundo TCU estão recebendo o benefício de Auxílio Emergencial e disputam o pleito com declaração de bens acima de R$ 300 mil.

Temos que ser justos e apontar que o candidato Telismar Ferreira Amaral, se manifestou, expôs o equívoco e já iniciou a retificação das informações, mas de forma geral, essa é uma exposição que somente se deu pelos ilustres se tornarem pessoas públicas.

Quando uma pessoa se dispõe a ser um candidato tem que estar preparado para que sua vida seja literalmente aberta como um livro. A população precisa saber quem são os representantes e a partir daí, cada fator passa ser de interesse público.

Se tratando da política de nossa cidade, um vereador ao ser afastado, jogou R$ 3 mil pela janela; o prefeito, teve sua foto, de um momento pessoal de celebração de casamento exposta em uma denúncia de nepotismo.

O assessor do vereador foi para a praia e suas postagens renderam uma denúncia por estar recebendo os salários de forma integral, e diante de tudo isso, há de se dizer que se tornar uma figura pública na política tem suas consequências.

Vejam só os dados se tornam questões de interesse e divulgação pública.

O salário de um funcionário é algo particular, mas ao se tornar um servidor público, passa a ser exposto em um portal da transparência.

A maior parte dos funcionários não sabe quanto é a retirada pró-labore de seu patrão, mas toda a cidade sabe quanto ganha o chefe do executivo, quais são os descontos e qual o total de sua renda ao longo de 4 anos de gestão.

Os bens dos candidatos a prefeito foram expostos, e até então não se tinha ideia de que Lazaro Camilo é o candidato “declaradamente mais rico”, entre os que estão no pleito.

Se você não está disposto a vivenciar com toda essa exposição, você não está pronto para se tornar uma figura pública e disputar um cargo eleitoral.

Tudo isso é sim de interesse público afinal, o enriquecimento de bens que passam de zero ao montante acima R$ 190 mil em quatro anos não é nada tão anormal diante de uma renda de mais de R$ 1 milhão ao longo de 4 anos.

Essas informações e conhecimento público são fundamentais para que se tenha transparência nos procedimentos e condições pelas quais os nossos políticos eleitos, efetivamente exercem suas funções.

Finalizando é importante ainda ressaltar que como profissionais, jamais vamos nos refutar de promover nosso trabalho, cumprir nosso papel. Sendo assim queremos salientar a todos os que desejam entrar na vida pública, que vamos seguir cumprindo nosso papel, e lembramos que da mesma forma que existe um preço a ser pago pelo ingresso na vida pública, nós também pagamos um alto preço por sermos isentos e profissionais acima das questões pessoais.

Jornalista - 11407 MTb - Editor chefe do Jornal O Popular

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