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É para mexer o doce

Willian Barcelos

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Mexer o doce é uma expressão muito comum na região Centro Oeste e significa a necessidade de agir, de promover uma ação em busca de um objetivo. Esse objetivo, a nosso ver, deve ser pautado nos anseios da população e, portanto, não pode ser desconsiderado. É um modo de chamar a atenção das autoridades responsáveis para determinadas demandas que são de interesse imediato, para não dizer urgente.

Somos a favor da oposição, mas daquela que se dá no campo das ideias, com o objetivo de melhorar projetos, aperfeiçoar ações; e que se bem aproveitada pelo gestor municipal, transformar-se-á em benefício para todos, inclusive para o governo. Pois quando um governo sofre a dita “oposição” e bem a recebe, diminui a margem de erros e caminha no sentido dos anseios populares. Um governo que não tem oposição amplia as suas chances de errar, pois toda unanimidade é tola.

Somos contra é a onda de Fake News, politicagem barata, que se torna cada vez mais comum entre aqueles que galgam uma “boquinha” ou não querem perder a que já tem. Esse tipo de política caminha para a derrocada, pois temos uma população mais atenta e crítica, especialmente num mundo em que a informação está a um toque de nossas mãos. Se antes o governo forjava a sociedade através de seus aparelhos ideológicos: imprensa, escola e igreja. Hoje, o precioso terreno virtual, se bem explorado, derruba todos estes aparelhos, transferindo o poder para a própria sociedade, que a partir de um processo lento, mas inexorável, matura-se. Forjando um novo modelo de relação com o governo, mais participativo por sinal.

Cabe a cada um que está, neste momento, ocupando aquilo que consideram como o poder, a tarefa de discernir entre oposição de ideias e destruição de imagem. Por isso, conclamamos a todos que realmente querem o bem da nossa cidade, para fazerem a oposição sadia, tão fundamental não apenas para aqueles que necessitam da tão propalada mudança, como também para aqueles que se propuseram sê-la.

Não existe governo perfeito, mas a humildade é a maior das virtudes do político na atualidade. É preciso reconhecer os erros e aprimorar. Mas vejo arrogância sendo vomitada por muitos lados, como se vivêssemos em outro mundo, outro país, outra cidade. O que não é verdade. Se não chegamos a ser uma Síria, destruída pela guerra, como disse o governador Romeu Zema para alguns empresários e autoridades locais. Também não estamos longe, metaforicamente, do Egito antigo, que fora arrasado pelas dez pragas. Pois já se foram três. Tivemos um decreto de calamidade pela chuva, um decreto de calamidade pela crise financeira e um decreto de calamidade pela dengue.

Destas pragas, ou calamidades, a maioria foi antecipada pelo legislativo e pela própria população. Mas como sempre, as estratégias de enfrentamento e superação vieram a posteriori. Esperamos que daqui para frente, quando mexermos o doce, o recado sirva de alerta para tragédias futuras, como foi o caso do Plano de Saúde dos Servidores, e talvez seja, a partir da terceirização do Transporte Escolar. Em ambas situações, a Câmara Municipal, que não ficará marcada como a Casa das CPIs, mas também das audiências públicas, trouxe a população para discutir os projetos. Caberá ao executivo escutar ou não a essa população, que ao contrário do que se especula em relação aos edis, esteve na Câmara para apresentar a dor que sente, e não simplesmente para fazer oposição. Afinal, a maioria que ali estava, não tinha relação ou gosto pela política partidária.

WILLIAN FERREIRA CARLOS BARCELOS é professor e agente político. Licenciado em História, especialista em Administração Pública, Docência do Ensino Superior, Gestão de Recursos Humanos e Meio Ambiente, mestre em Educação, Cultura e Organizações Sociais.

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