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Editorial

“A vida é sua, estrague-a como quiser”

Israel Silveira

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Antônio Abujamra, ator e diretor de cinema, TV e teatro, que infelizmente não está mais entre nós, certa feita soltou uma de suas pérolas e disse assim “a vida é sua, estrague-a como quiser”. O pensamento como não poderia ser diferente ficou marcado em seu acervo de frases e citações que nos fazem ver e refletir sobre os rumos que a vida vem tomando.

Em nosso entendimento o que Abujamra quis dizer é que em toda a sua capacidade de tomar decisões, viver e ser um indivíduo dono de seu próprio livre arbítrio está, com certeza a autonomia em agir conforme as suas convicções e vontades.

Assim cada um estraga seu próprio viver, acreditando e sendo convicto de que tal decisão, ação, cada fato que é presenciado e construído a nossa vontade faz parte de nossa morte, que é diariamente construída.

Assim seguimos nossos caminhos, construindo uma história que em nossa percepção é o rumo do sucesso, mas em determinados momentos, os tropeços nos mostram que nossa opinião pode ser tão letal, quanto a vontade de nossos inimigos.

Nesta última terça-feira, dia 04 de fevereiro, durante a primeira reunião ordinária da Câmara de Nova Serrana o que presenciamos foi, a base do governo, adiando um projeto por um ano, justamente por seguir apenas as suas convicções, ou seja, destruindo a pauta como bem entendeu.

Veja durante o debate da pauta todos os vereadores da oposição tiveram o cuidado de apontar vários erros que deviam ser reparados na pauta. Dai temos a ignorância de quem acha que a sua visão é a única que é correta sobre o fato.

O líder e vice líder do governo não tiveram a humildade de avaliar as considerações e perceber que sim havia procedência naquilo que era pautado. Vivemos em uma cidade onde o planejamento é cobrado diariamente, ou melhor, a falta de planejamento nos faz viver com enchentes, com ruas estreitas e vias sem condições adequadas de transitar.

A falta de planejamento nos faz viver por dias sem água, simplesmente porque a prestadora não tem condições de atender, com decência o crescimento populacional de nossa cidade. E dai em meio a mais um projeto que já nasceu indigesto, se justifica a venda dos lotes para construção da sede regional da delegacia, com o pensamento de que primeiro se inicia e depois busca recursos.

A política do puchadinho, a política eleitoreira da obra que fica para o próximo mandato, a política eleitoreira daqueles que afirmam, que “se a oposição pensa diferente de nós é porque ela quer o mal da cidade”. Isso não pode fazer parte de uma administração que pretende agir de forma diferente.

Para ser diferente a primeira coisa que se tem que fazer é descer do pedestal, do púlpito, do palanque, do salto e assim ouvir o que os outros têm a dizer.

Desde que iniciou esta administração nós desde Popular temos chamado a atenção da administração falando que, se a oposição for ouvida, automaticamente o caminho para o acerto é dado.

Se a função dos opositores é encontrar os defeitos, basta a situação perceber que os defeitos existem e assim, com humildade, qual o prejuízo teria tirar a pauta de tramitação, ajustar o terreno e assim conseguir a aprovação dos vereadores?

De fato Abujamra estava certo, cada um estraga a sua vida como bem entende, o problema é que estamos em ano eleitoral, estamos a mercê de uma séria de erros históricos estruturais que precisam ser resolvidos, estamos prestes a voltar as urnas e dessa forma, os erros banais podem se tornar efetivamente fatais.

Os animais vão voltar as urnas e podem não reeleger os atuais políticos, a má fé por parte dos opositores pode ser entendida por muitos como o caminho certo a ser tomado, e se somos capazes de estragar as nossas próprias vidas baseados em nossas convicções, o que são mais quatro anos de erros e lamentos, dentro de uma cidade que construiu seus pecados convictos de que o erro em massa é um acerto coletivo.

Torcemos para que os políticos de nossa cidade leiam esse editorial com os estômagos vazios e que não regurgitem mais um pouco de suas convicções em formas de acusações contra esse diário. E ainda mais, prezamos para que eles entendam que a população a essa altura do campeonato, não se importa mais em ganhar ou perder, desde que ela o faça convicta de que errar ou acertar no voto é na verdade mais um pouco do mesmo, com caminhos diferentes e resultados iguais.

Assim encerramos entendendo que estando certos ou errados, sendo considerados opositores ou não, nossos erros são cometidos com boa fé, de quem é humilde a ponto de considerar que errou e estar dispostos a reconstruir um pensamento. E que esse sentimento seja contagioso a ponto dos políticos de nossa cidade reconhecer que a sua verdade não é a única forma de estragar ou construir o futuro de nossa comunidade.

Jornalista - 11407 MTb - Editor chefe do Jornal O Popular

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