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A origem da crise dos caminhoneiros

Lucas Couto

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Para quem pensa que a crise dos caminhões surgiu devido à alta dos combustíveis, se engana. A raiz do problema dos caminhoneiros e das empresas de logística começou bem antes, e também tem dedo do governo.

Em 2009, o então presidente Lula, criou uma linha de crédito chamado PSI, e o BNDES financiava 100% dos caminhões com juros de 7% ao ano.

Na época em que o governo estimulou a compra de caminhões, a inflação do país estava próximo a 6% ao ano, o que significa que os juros reais que o BNDES cobrava, era de 1% ao ano, uma isca perfeita para os desavisados. Com isso, caminhoneiros renovaram suas frotas e até mesmo pessoas que estavam fora do mercado, decidiram se aventurar nesse mar que aparentemente havia muito peixe.

O resultado disso não poderia ser outro, a frota de caminhões no país cresceu algo próximo a 4,9% entre 2008 e 2014.

Porém, enquanto o governo fazia o custo do dinheiro parecer artificialmente barato à base de canetada, a economia brasileira estava desacelerando.

No mesmo período entre 2008 e 2014, o Pib brasileiro aumentou apenas 2,4% ao ano, devido a agricultura e as indústrias sofreram com a crise. O aumento da frota de caminhões foi bem superior ao desenvolvimento do país. Com isso, o país passou a ter mais caminhões e empresas realizando o serviço de frete do que demanda por esse serviço e como em todo mercado onde o governo tenta estimular criando crédito barato, uma bolha de caminhões surgiu no país.

Como passou a ter um excesso de oferta de fretes, o preço desse serviço passou a diminuir, seguindo os princípios básicos da economia. Quanto existe mais oferta do que demanda, o preço tende a diminuir.

A insatisfação se alastrou entre os caminhoneiros e empresas que se arriscaram no mercado de fretes. Com a inflação diminuindo, a dívida do financiamento de caminhões ainda ativa e o excesso de pessoas e empresas oferecendo o mesmo serviço, caminhoneiros e empresas viram seus lucros diminuírem consideravelmente.

A intervenção do estado para controlar a economia, sempre resultará em bolhas e crises, seja controlando preços ou impostos.

Após essa série de erro, caminhoneiros desesperados, querem concertar um erro gerado pela intervenção do estado na economia, com mais intervenção.

A diminuição do preço do diesel à base de canetada é uma forma de expansão fiscal, onde o governo diminui impostos sem diminuir gastos da máquina pública, isso gera aumento em impostos futuros e acarreta também em inflação.

Outra pauta dos caminhoneiros é a imposição do “frete mínimo”, onde o governo irá decretar o valor mínimo a ser cobrado por todos os caminhoneiros no país. Isso vai gerar um aumento considerável no valor do frete, que irá resultar em alta nos bens de consumo.

Ao invés de colocar mais poder de decisão nas mãos de políticos, e controlar a economia com canetadas, é preciso reduzir o tamanho do estado, através de uma redução da carga tributária acompanhado de uma redução de custo da máquina pública. E para solucionar os problemas dos combustíveis, é necessário privatizar imediatamente a Petrobras e permitir um ambiente propício para que empresas entrem no mercado para disputar quem oferece o menor preço e melhor qualidade de combustível. Mas isso é assunto para um próximo texto.

* Lucas Couto - Empreendedor, acadêmico em engenharia civil, coordenador do movimento Livres e defensor da liberdade e da redução da máquina pública.

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