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A cadeia produtiva calçadista anseia por dias melhores

Mauro Soares

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A atual conjuntura do setor calçadista Brasil afora é demasiadamente preocupante: fechação de postos de trabalho,  ao longo dos últimos cinco anos, além da retração nas exportações e nas vendas no mercado interno; cenário inquietante que acarreta a redução na oferta de empregos e decréscimo no faturamento das empresas, obrigando-as a mudar suas estratégias visando diversificar produtos e clientes.

Esse contexto é fruto da ineficiência na gestão política e econômica do país ao longo dos últimos 30 anos, sem planejamento a longo prazo, que proporcionasse um crescimento ansiado e sustentável.

Aqui na Serrana, nossa querida Capital Nacional do Calçado Esportivo, também vivemos dias de desassossego; se outrora passávamos incólumes às crises Brasil afora, hoje vemos a estagnação da indústria local; empresas tradicionais encerrando suas atividades ou reduzindo drasticamente a capacidade produtiva, a empregabilidade diminuída e o clima de apreensão roubando as expectativas criadas com a chegada do novo governo.

Os impactos da crise no mercado de trabalho ainda deverão conter o estímulo ao consumo de calçados no País no curto prazo. Ademais, apesar da desvalorização do real frente à moeda americana, as exportações tendem a apresentar uma desaceleração devido às dificuldades econômicas de um dos principais importadores de calçados brasileiros, nossos “hermanos”.

Espera-se, ainda para 2019, último trimestre, diminuta melhoria das condições macroeconômicas, e que o setor inicie uma nova trajetória de crescimento, mas a consolidar-se apenas no longo prazo (2020-2022) com a elevação da confiança dos agentes econômicos  e a majoração da massa salarial, impactando as vendas do comércio varejista calçadista no mercado interno.

Após um ano atípico, 2018, onde houveram as paralisações dos caminhoneiros, a desconfiança do consumidor em função do pleito presidencial, a baixa produtividade no período da Copa do Mundo quando “paramos pra ver os jogos”, e no mercado externo, a grave crise da Argentina, segundo maior mercado internacional do calçado verde-amarelo, projeta-se para 2019, sinalizações positivas por parte da equipe econômica, especialmente no que diz respeito à desregulamentação da economia, com as sonhadas reformas, sobretudo as da previdência e a tributária sendo efetivadas, originando expectativa de diminuição dos entraves burocráticos.

Internamente, no último ano, além da queda da demanda, a indústria ficou refém da paralisação dos caminhoneiros, evidenciando os gargalos de infra-estrutura no Brasil – um dos insumos do Custo Brasil – e a dependência de um único modal, o transporte rodoviário, experenciando adversidades no abastecimento.

À época, segundo pesquisas da Abicalçados, a capacidade ociosa do setor chegou a quase 50%, um marco negativo para a indústria calçadista.

Ainda temos uma particularidade aqui na Serrana, embora de ilicitude latente, a comercialização de calçados alusivos à marcas conceituadas – com significativa participação na indústria local – experiencia o rigor na fiscalização país afora e tem sido mais um dificultador nesse desafiante 2019. A cadeia produtiva calçadista anseia por dias melhores, buscando a recuperação do longo período de estagnação; que os bons ventos do segundo semestre soprem favoravelmente à essa gente sapateira.

Abençoada semana

Graça e Paz

MAURO SOARES CORRÊA é casado, pai de duas filhas, bacharelado em ciências contábeis, micro-empresário calçadista, radialista e presidente da Associação São Sebastião de rádio e comunicação.

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