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Tragédias e ataques nas escolas: deixemos de ser espectadores!

Mauro Soares

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A funesta manhã, do dia 13 de março, entra para a história, como um dos episódios mais lastimosos, vividos por nossas gentes; o brutal assassinato de oito pessoas, e ato contínuo, o suicídio dos homicidas, com o agravante de que tamanho despropósito ocorreu num ambiente pedagógico, expõe o quão frágeis são nossos valores basilares, e explicitam a banalização da violência aqui na terra Brasilis. 

Ter a bestialidade como trivial é uma realidade de longa data em nosso país. Mas os mortos não tinham rosto. Escondiam-se atrás de estatísticas que a rotina confinava nos rodapés das páginas de jornal. Só de quando em quando a imagem da chacinas nas grandes cidades chocava o país, desprevenido, comunicado pelo Jornal Nacional, entre uma novela e outra. De cadáver em cadáver, construímos uma ruína típica de guerra.

Em novembro de 1999, um estudante matou três e feriu outros cinco, num cinema, em São Paulo. Era outubro de 2017, quando oito crianças e uma professora morreram depois que um segurança ateou fogo numa creche em Janaúba, pacata cidade do interior mineiro.

Registraram-se espasmos do mesmo surto aqui e ali, em Goiás, no Paraná, no Pará… Eram reincidências menores que da matança de abril de 2011, quando um homem adentrou numa escola em Realengo (RJ), assassinando brutalmente, 11 crianças. Em dezembro de 2018, um atirador matou quatro fiéis após a missa, na Catedral Metropolitana de Campinas (SP), e ato contínuo, suicidou-se.

Nos últimos 11 anos, 553 mil pessoas foram assassinadas no Brasil; pra termos a exata noção do quão absurda é a violência em nosso país, para efeito de comparação, observamos que na Síria, assolada por uma guerra civil há mais de sete anos, houveram 500 mil óbitos resultantes do conflito bélico, no mesmo período.

A crise civilizatória do nosso Brasil parece interminável. Bondade e solidariedade viraram gêneros de primeira necessidade, minguados na sociedade atual. Nossas gentes andam mal-humoradas. Alunos agridem professores e vice-versa. Conversa entre familiares vira bate-boca, e por vezes, descamba para a troca de farpas e não raramente, culminam com a violência desmedida entre os próprios consanguíneos. O debate político só é considerado eficiente quando uma parte consegue obrigar a outra a calar-se. Não obstante à esse preocupante cenário nosso presidente comunga da idéia de que a solução para a violência é disseminar a posse de armas.

Assistimos atônitos à tragédia ocorrida em São Paulo, e buscamos explicações para tamanha barbárie, porém não nos damos conta, do necessário enfrentamento no seu nascedouro. A “ausência” e a permissividade dos genitores vêm desconstruindo nossas famílias; outrora, nossos pais eram autoridades, os respeitávamos; no entanto a geração da era digital, é desprovida dos valores primordiais, falta-lhes o sorriso e o olhar, daqueles que deveriam ser presença constante.

Que tenhamos percepção e sensibilidade, que busquemos alicerçar nossas crianças e jovens, que saibamos, seguindo o exemplo de nossos pais, valorizar a essência; para além do debate armamentista, devemos redesenhar nossas famílias, para quiçá, termos uma sociedade onde impere o respeito e o caminhar seja harmonioso; busquemos essa utopia.

Abençoada semana

Graça e Paz

MAURO SOARES CORRÊA é casado, pai de duas filhas, bacharelado em ciências contábeis, micro-empresário calçadista, radialista e presidente da Associação São Sebastião de rádio e comunicação.

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