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Editorial

O velho coronelismo do Cercado

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Nova Serrana é mesmo uma cidade peculiar. Por ser uma cidade de quase 100 mil habitantes, por ser a segunda maior da região com perspectiva de se tornar a maior da região dentro de no máximo 20 anos, a cidade ainda carrega consigo algumas características de cidade do sertão.

Parece que o Cercado apenas cresceu, pois a postura de grande parte da população não condiz nem de longe com a qualidade e modernidade de sua indústria, e quando falamos de postura, começando pelas cabeças, o bairrismo ainda se institui sobre a cidade.

Neste fim de semana tivemos a prova de que por aqui o coronelismo funciona e funciona mesmo.

Sim caro leitor, estamos falando de ações arbitrárias, que podem abrir brechas para posturas e condições futuras ainda mais sérias. Estamos falando do senhor Osmar Santos, atualmente presidente da Câmara que de forma arbitrária e indevida se mostrou como um coronel no sertão, passou por cima de tudo e de todos, e mostrou para todos – reafirmamos todos – quem manda por aqui.

Primeiramente queremos deixar claro que nosso objetivo não é recriminar o fato de ter buscado uma forma de auxiliar o rapaz de 17 anos que precisava de ajuda; o que temos aqui a renegar é como buscou isso e mais, as consequências de suas ações arbitrárias.

Um homem com o poder do presidente da Câmara de Nova Serrana não precisa de entrar em uma unidade de saúde, para ter nas mãos a solução para o problema, algumas ligações poderiam fazer com que o médico, a equipe da UPA virassem uma vaga para a transferência do rapaz.

Uma ligação para o gestor do Hospital Santa Monica, com quem o vereador esteve por muitas vezes recentemente ,resolveria o problema, mas para aqueles que praticam a politica do coronelismo, do assistencialismo, apenas dar a solução não é suficiente.

Aqui entendemos que ou por falta de inteligência, ou por interesse, ou pelo calor da emoção, o legislador optou pelo show, e ao arrancar a porta da UPA e bater boca com o médico que acabara de reanimar o jovem alvo da discussão, foi para o “Presidente” a melhor solução.

Uma atitude sem diplomacia, sem democracia, sem inteligência, afinal agora todos os pais de família, aqueles que elegeram o “Presidente” vão se sentir no direito de quebrar portas, cadeiras, agredir profissionais, quando por seus entendimentos (leigos por sinal) entenderem que há “negligencia”.

Se a força de Osmar não foi notada pelo fato do mesmo entrar pela UPA como da forma que bem entender, afirmando ser legislador, não foi notada por esse fato, se nota por outra questão. As autoridades da cidade se omitiram, preferiram não tocar no assunto ou não colocar a mão na cumbuca.

Uns preferiram fingir que não sabiam do caso, outros optaram por mandar que procurássemos a Câmara para obter informações quanto ao Boletim de Ocorrência, boletim que conforme diz a própria Câmara, não consta porta arrancada ou desacato à autoridade.

Dessa forma entendemos que a UPA ficou sem médico após todo o escândalo, porque o médico plantonista quis de forma amigável, dar um passeio com o vereador em uma viatura até a delegacia para ambos tomarem um cafezinho com o delegado.

Nessas horas a figura do prefeito não apareceu, o que apareceu foi todo o bando do Paulo Cesar do lado de fora da UPA e da delegacia, dando força ao seu novo coronel, reforçando que no Cercado quem manda tem nome, e pelo visto ele está acima da justiça – como já falou quanto à promotoria – esta acima de muitas autoridades e pela postura omissa encontrada não pela secretária que deu a cara a tapa e prestou esclarecimentos, mas pelo executivo, pelo visto está acima do Euzebio também.

Para finalizar desejamos que o rapaz tenha uma recuperação, que fique saudável, desejamos que ninguém necessite de uma intervenção política para ter um atendimento de qualidade. Mas também desejamos que se caso isso aconteça novamente, o Coronel ou qualquer outro vereador, do seu grupo ou não, haja com mais eloquência. Articular algumas ligações da menos ibope do que derrubar portas e gritar com funcionários, mas acredite é a forma mais inteligente de se mostrar poder.

 “Uma das coisas importantes da não violência é que não busca destruir a pessoa, mas transformá-la”.

  • Martin Luther King.

 

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