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“O rezador e jogador do bicho”

Luciano Augusto

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João, era um típico sujeito do interior, calado, sistemático, uma vida simples; João, que era meu vizinho possuía uma grande sabedoria popular.

Adorava um jogo do bicho, e quase sempre acertava; quase todas as manhãs era um velho hábito de João se dirigia até o açougue, que era uma banca do bicho (uma agência), se assim podemos classificar, um local de apostas do jogo do bicho.

Ele chegava e dizia ao rapaz do açougue: hoje vou jogar um passe no bicho x e no y, e o homem era danado de sorte, quase sempre acertava.

Certa vez, comentei com minha mãe, que ele, o João, sempre ia no açougue jogar, e tinha sorte; minha mãe me respondeu dizendo que: “ele sonhava e era rezador, que ele jogava e rezava para que os bichos saíssem na rodada”.

Foi então que tive uma ideia, o João passava na porta de casa se dirigia ao açougue, escolhia os bichos, e iria embora; eu chegava depois era só ele sair que eu entrava e perguntava ao açougueiro: “ô Zé, qual bicho o João jogou hoje?” O Zé respondia: um passe no macaco e tigre, ai eu dizia: beleza vou na sorte dele. E foi assim, durante um bom tempo.

Até que um dia eu percebi que o João, apesar de ter sido um bom rezador, tirava quebrantos, olho gordo e até cobreiro, usava de uma técnica, que era o seguinte, ele sempre saltava dois bichos no passe, sempre jogava de dois em dois, e com essa técnica ele se dava bem, quando terminava todos os bichos, ele invertia a ordem de começo.

Ou seja, não tinha nada de sonho, até que de reza poderia ter claro, afinal, o homem era rezador e dos bons.

João, morreu jovem não chegou nem as 60 primaveras, era um sujeito admirado por toda a vizinhança, pelo seu jeito humilde, prestativo, com todos que lhe procuravam para uma reza.

Muita das vezes, conversar com alguém que detém o conhecimento amplo da sabedoria popular nos faz muito bem, uma pena que esse tipo de pessoa, esta cada vez mais extinta, desenvolvemos uma série de tecnologias, contudo, parece que afastamos as pessoas de um contato mais próximo uns dos outros.

Desde muito cedo, aprendi que as observações são uma das coisas mais importantes dessa nossa passagem, com cada pessoa que seja, apreendemos algo em nossa efêmera vida.

Para Refletir:

“Humildade, observação, respeito, são virtudes irrenunciáveis”

LUCIANO AUGUSTO O. LOPES é bacharel em Direito pela Sociedade Dom Bosco de educação e cultura - Faculdade de Ciências Econômicas, Administrativas e Contábeis - Divinópolis (2012). Advogado inscrito na Seccional OAB Minas Gerais, desde 2015, com ênfase em Direito Público, atuando nas áreas do Direito Eleitoral, Administrativo. Atua como Consultor Jurídico do IPGC (Instituto de Planejamento e Gestão de Cidades). Possui diversos cursos voltados para o Marketing Político Eleitoral, tem experiência em campanhas políticas e na gestão de projetos políticos.Há habilidade em comunicação tendo atuado na função de radialista/jornalista

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