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Editorial

O desejo de ser corrompido

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Se houver uma pesquisa, se é que ainda não existe, questionando a população sobre o que ela pensa dos políticos brasileiros, a resposta será massiva afirmando que os nossos representantes são corruptos.

A visão é sim generalizada, e como prediz a retórica de Aristóteles, a generalização é uma forma eficiente de argumento, que justifica pela grande quantidade de fatos, os argumentos que não são claramente, ou que não se tem embasamento para se defender.

Dessa forma é muito fácil pontuar e afirmar que todo político é ladrão, é corrupto. Mas essa premissa vem de onde, ou melhor, será que a sociedade não é quem impõe esse tipo de conduta corruptora para com os representantes políticos?

Antes que venham atirar pedras e dar tiros em nossa direção como assim fizeram em editoriais passados, pela não compreensão dos argumentos e objetivos do texto, nosso Popular quer deixar claro que esse editorial não tem como OBJETIVO vitimar os políticos Brasileiros.

Muito pelo contrário queremos pontuar condutas incoerentes e indevidas, mas essas mesmas são tomadas com aval e até pedido de uma sociedade que busca, que pede para ser corrompida.

Não caro leitor, não estamos loucos, bêbados ou sobre uso de qualquer outro tipo de substância, mas baseado em declarações feitas durante a última reunião ordinária da Câmara de Nova Serrana convidamos vocês a uma reflexão.

Em tom de desabado o vereador Chiquinho do Planalto (PSD), deu um basta quanto à política assistencialista. O legislador se disse fadado de ter pessoas em seu gabinete pedindo por sacos de cimento, dinheiro para comprar pneus, alianças, ajuda de custo para fazer festa de aniversário e até mesmo para pagar passagem de férias.

O vereador afirmou que populares vão até os gabinetes pedindo dinheiro, e quando o vereador não tem condições de ajudar, aqueles que foram buscar pelo assistencialismo, saem e se tornam inimigos dos vereadores, denegrindo a imagem dos mesmos pelas ruas e redes sociais.

Em um grito de cansaço, Chiquinho chegou a afirmar que se alguém tem intuito de votar nele pensando em pedir dinheiro, que não o faça. E ainda afirmou que o mesmo acontece com os demais vereadores, mas que os edis não tocam no assunto por receio de complicações com o Ministério Público.

Essa última afirmação expõe com clareza uma pratica corruptiva que ocorre e que todos tem receio por interesse próprio de recriminar como uma ação indevida.

De fato se analisamos o que acontece, principalmente em cidades pequenas é que os vereadores exercem um papel onde praticam uma política assistencialista e isso é cobrado posteriormente no período eleitoral.

Por parte da população, o voto é dado para aquele que lhe trará benefícios próprios. Os pedidos não são em sua maioria solicitações para desenvolvimento de uma comunidade, não são para benefício social e sim para que problemas individuais sejam sanados.

Essa conduta corruptiva é levada da sociedade para com os políticos, e se estende para uma postura social que vai além da política e dessa forma se estabelece uma conduta, uma política corruptiva, desde a formação do cidadão até os cargos mais altos como a justiça praticada pelo supremo.

A conduta do vereador em dar um basta publicamente é louvável. Esperamos que na prática seja condizente com a teoria e mais ainda, esperamos que os demais que ali atuam também tenham conduta semelhante e que isso também se estenda a “favores”, oferecidos por populares quanto aos projetos que serão votados na casa.

Não estamos afirmando que pessoas corrompem vereadores daqui para que pautas sejam aprovadas. Mas existem em outras localidades comprovações dessas praticas e se seguro morreu de velho, a missão os vereadores que aqui legislam é quebrar os paradigmas e impressões, e promovam uma política correta, honesta e moral como se espera daqueles que foram eleitos, ainda que por pessoas que desejam ser corrompidas.

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