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O cabide e outros acessórios!

Willian Barcelos

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Um dos questionamentos mais recorrentes da política local, em todos os tempos, foi o apadrinhamento político e a contratação de pessoas sem qualificação técnica ou experiência para o exercício de suas funções na gestão municipal. E o pior que isso sempre existiu, seja no legislativo ou no executivo.

Teve funcionário fantasma? Teve. Teve nepotismo na Câmara? Teve. Mas como explicar esse momento? Hoje a população está mais atenta, mais bem informada, menos tolerante. Ainda mais porque falta dinheiro no caixa para bancar a farra. Falta jogo de cintura e capacidade de atrair atenção e respeito dos demais entes federados.

Mas a sucessão municipal resolverá todos os problemas? Pelo menos pode ser um recomeço. Não que esteja declarando o total fracasso do atual gestor. Afinal, todos podem recomeçar e a qualquer momento. Basta querer. Basta perceber que a receita não tem dado certo.

Vejo uma folha de pagamentos que pode ultrapassar os R$ 100 milhões de reais/ano. Aliás, se considerarmos as terceirizações, já ultrapassamos esse montante há muito tempo. Aí não dá para fazer nada mesmo. Tem que viver enxugando gelo e apoiando-se em uma parceria público-privada aqui e outra acolá, inclusive para fazer “quebra-molas”.

Por falar em parceria, onde estão aqueles empresários que doavam terrenos para que a Prefeitura pudesse realizar alguma benfeitoria e ver seus empreendimentos valorizados no entorno?

Agora o tipo de parceria é outro. A prefeitura pode até fazer a dita benfeitoria, mas a área tem que ser comprada. E vai ser “pau na moleira” de todos. A Prefeitura quer receber taxas mal cobradas dos antigos loteadores. E se foram mal cobradas, porque não responsabilizar os ex-gestores por renúncia fiscal?

Podem até fazer isso, mas a prioridade é o dinheiro no caixa. Dinheiro que vem sendo perseguido por todos os meios, mas que acaba escorregando por entre os dedos. Diz o ditado: “quem muito quer, acaba sem nada”.

Deixando estes pontos de lado e concentrando-se na resolutividade da questão, a prioridade da gestão deve ser o enxugamento da máquina. Não há outro caminho. Os valores liquidados a título de pagamentos de servidores, previdência e seguridade social foram de quase R$ 122 milhões no ano passado. Despesas com água e luz, mais de R$ 6 milhões. E existe algum programa de racionamento do consumo nos prédios públicos? Não. E nem haverá para quem vive enxugando gelo.

Se os serviços de transporte da Prefeitura, assistência aos deficientes físicos, coleta de lixo e manutenção da UPA não tivessem sido terceirizados, as contas do atual gestor estariam prestes à rejeição pelo Tribunal de Contas do Estado. Visto que a frota terceirizada, incluindo-se mão-de-obra, chegou próximo a R$ 4 milhões, que somados a quase R$ 1 milhão de repasses diretos feitos a APAE e aos outros cerca de R$ 11 milhões para a Fundação Hospitalar São Vicente de Paula, Comissão Interventiva do Hospital São José e OSS-HMTJ, totalizaram R$ 16 milhões.

Opa! Já ultrapassamos somente com isso R$ 144 milhões. O equivalente a toda Receita Municipal do ano de 2015. E naquela época iniciaram-se importantes obras, que estão aí para a atual gestão concluir.

Nesse aspecto entendo a colocação do vice-prefeito e coordenador da Comissão Interventiva, Nelson Moreto, que disse nos autos do processo de extinção da Fundação Hospitalar São Vicente de Paula: “A priori não há pretensão do município municipalizar as atividades hospitalares resultantes da liquidação do hospital em questão e sim de realizar um processo de seleção para escolher uma Instituição que melhor atender as condições para gerenciar esta UNIDADE HOSPITALAR MUNICIPAL por meio de contrato de gestão (…)”.

Agora sim, entendi a presença de determinados agentes de determinada instituição em determinado hospital.

WILLIAN FERREIRA CARLOS BARCELOS é professor e agente político. Licenciado em História, especialista em Administração Pública, Docência do Ensino Superior, Gestão de Recursos Humanos e Meio Ambiente, mestre em Educação, Cultura e Organizações Sociais.

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