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Editorial

O cabide e o nepotismo!

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Nepotismo vem de nepote +ismo.  Nepote, segundo o Dicionário Houaiss, significa: 1. sobrinho do sumo pontífice; 2. Conselheiro papal; 3, por extensão de sentido, indivíduo especialmente protegido ou predileto; favorito.

Na Idade Média, nepotismo servia para denominar a autoridade que os sobrinhos ou netos do papa desempenhavam na administração eclesiástica. No serviço público, passou a ser sinônimo de favorecimento sistemático à família.

Se tratando da política local nunca se deu real atenção para a prática de nepotismo, ou melhor, para a prática da moralidade que gira no entorno desse favorecimento. Porém a lei é clara, é crime e de tal maneira deve ser penalizado.

Durante a reunião Ordinária da Câmara de Nova Serrana, na última semana, o vereador Jadir Chanel apresentou um Cabide para ilustrar que vereadores da Casa estariam usando de seus cargos comissionados para garantir vantagens tendo servidores fantasmas, ou seja, contratados que não aparecem pelos corredores da Câmara.

Dai vem a nossa primeira critica: estar nos corredores da casa e produzir de forma salutar para o município são duas coisas completamente distintas. Os fantasmas o Ministério Público irá averiguar sua existência e aos vereadores que são os fiscalizadores, deveriam ficar um pouco mais atentos se todos os que ocupam cargos comissionados são realmente necessários, ou melhor, se são produtivos.

Voltando ao cabide e ao nepotismo, dizem que o tiro pode sair pela culatra, com a licença poética, o cabide dependurou o paletó do vereador. As acusações em alto e bom tom foram inicialmente denunciadas no plenário quando o presidente da casa afirmou que cabide de emprego tinha no gabinete do vereador Jadir, quando um sobrinho era seu assessor.

Passaram-se alguns dias e efetivamente a conduta de exonerar de forma impositiva o assessor em questão foi tomada, com ou sem apoio dos demais edis, Jadir teve seu  comandado retirado do corpo de servidores do legislativo e o mesmo promete veementemente que irá travar uma batalha na justiça, porque ao seu ver e na opinião de seu corpo jurídico, não existe crime em contratar o marido da sobrinha.

A presidência por sua vez anunciou e pelo que foi entendido, pelo que foi falado nos bastidores da política, o fato não foi novidade para nenhum gabinete (generalizando claro), parece que os edis tinham conhecimento do fato, e dai caros leitores, vem nossa segunda e mais veemente crítica.

Se os vereadores que são responsáveis por fiscalizar a cidade, tem debaixo do seu nariz um colega cometendo um ato que possa ser considerado ilícito e não toma uma medida cabível, qual o crédito ou mérito eles têm para fiscalizar outras irregularidades na cidade? Onde está a corregedoria do legislativo? Onde está a moralidade pregada pelos nobres?

Porque a denúncia foi feita agora e porque somente agora a presidência tomou postura em exonerar o servidor se existia a convicção de que algo poderia estar podre dentro desta caixa?

O Ministério Publico tem sido citado frequentemente pelos Edis como alvo de denúncias e se todo o material que vem sendo informado, falado, ou que tem sido assoprado pelos corredores do legislativo se tornarem processos, talvez na próxima legislatura não teremos nem 50% dos vereadores reeleitos, mas não por mudança, e sim por improbidade.

Como falamos no editorial de ontem, quem não tem pecado que atire a primeira pedra, mas ainda assim deve lembrar que jogar pedra para o alto pode quebrar o seu próprio telhado, que na maioria dos casos é de vidro.

A prática de assentar no rabo e apontar o dos outros não é nada saudável para a comunidade, e o que esperamos é que os edis façam uma limpa moral na cidade, assim como tem feito um trabalho exemplar nas CPI’s, mas que essa limpa também aconteça de dentro para fora, ou seja, primeiro se limpa a sua casa para depois limpar a porta do vizinho.

Por fim, não podemos deixar de falar que, sendo crime ou não, o fato de caracterizar indícios de imoralidade já deve ser o bastante para que o vereador Jadir, se aquiete e aceite a exoneração. Claro que se omitir é assinar uma confissão de culpa, mas depois de dependurar cabide, depois de pedir desculpa por denúncia equivocada, conseguir na justiça a recontratação do assessor não será nenhuma vitória, será apenas um alento, para que à noite a consciência não pese o travesseiro.

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