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Escritores anônimos

Wellington Pimenta

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Este texto é totalmente apolítico, não há interesse de macular a imagem de ninguém. Quando cheguei a Nova Serrana, jamais imaginava que um dia fosse atentar para esse assunto.

Em várias oportunidades durante minha carreira, participei de vários seminários, palestras, reuniões de diversos assuntos, mas nunca deste, “A Literatura”.

Mas para falar disso é necessário contextuar o descaso existente em nosso País e que chega a ser gritante e vergonhoso, afinal a Literatura em outros países é joia do mais alto quilate e tratada com muito respeito, tendo lugar de destaque.

Por aqui, as grandes editoras investem somente quando vislumbram lucros em parcerias com escritores famosos, que já não precisam de investimentos, tem condições de se manterem.

Quanto aos autores desconhecidos, o mesmo tem que arcar com toda despesa e ainda partilhar lucros se houver. Ninguém da iniciativa privada quer e nem vai arriscar (o que também não é de tudo errado).

A nível estadual, não é diferente, não se vê acontecimentos que chame a atenção nessa área, principalmente com o apoio governamental, porém quando desperta a possibilidade de lucros, as editoras privadas assumem as obras.

Ao falar municipalmente, não me lembro de ter visto em nossa cidade alguém incluir em seus discursos algo que ilustrasse preocupação ou desejo de buscar meios ou auxílios aos adeptos desconhecidos.

Aqui falamos de uma das áreas mais sem recursos e desinteressante aos poderosos. Já ouvimos discursos de longa data, onde dizem, “não tem dinheiro, para saúde, segurança, educação e vamos investir em literatura?”

Não tem jeito, isso entristece, pois na verdade, o que se vê, é que de forma alguma são recebidos os investimentos como necessários.

Pessoalmente acredito ser mais fácil desestimular a leitura do que fazer investimentos em escritores anônimos.

Culturalmente se dissemina a ideia de que as crianças não gostam de ler, o ensino parece não se preocupar com essa questão e seguindo a retórica fica cada dia difícil estimular a cultura da literatura.

No meu tempo de escola, durante o ano letivo tínhamos que ler no mínimo um livro a cada três meses. Os professores determinavam trabalhos e debates valendo nota, éramos crianças e todos tinham fichas na biblioteca Municipal, quanto mais livros lesse mais ganhava pontos e assim minha geração foi estimulada a leitura.

Atualmente existe uma enorme gama de escritores nativos ou que moram em Nova Serrana, mas não se vê livros deles circulando, sendo lidos, comentados ou vendidos.

Acho que a maioria da população nem ao menos tem conhecimento da existência destes nobres.

De fato faltam recursos, todos têm obras prontas e são ótimas opções de leitura. Obras para todos os gostos. Houve um seminário cultural no início desta administração, mas não se fala mais nisso. Minha preocupação é justamente quanto a continuidade deste trabalho iniciado.

Infelizmente acredito que escrever está cada vez mais desestimulante. Creio que nenhum escritor de nossa cidade com obra publicada ou não, tem intenção de enriquecer com seus livros. Mas, publicar um livro é como o nascimento de um filho, é um sentimento único e dessa forma, para esses escritores perseverantes de Nova Serrana e região, faço a minha continência com muito orgulho.

WELLINGTON LINO PIMENTA é natural de Bom Despacho-MG, Sargento da reserva da Polícia Militar, residente em Nova Serrana há 33 anos, ferrenho defensor do meio ambiente, escritor, autor de 5 livros ainda não publicados; trabalhou na Secretaria Municipal de Meio Ambiente, católico estudou por 4 anos o curso de teologia para leigo.Atualmente colabora na divulgação e mobilização no Consep - Conselho Comunitário de Segurança Pública .

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