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Editorial

Devo não nego, pago quando puder!

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A afirmativa “devo não nego, pago quando puder” é sem dúvidas uma  das frases que praticamente todo brasileiro já ouviu algum dia. Se tratando de um país onde a desigualdade social é tão evidente e as classes baixas sobrevivem com salário que colocam suas condições de vida próximo a linha da pobreza, falar que se deve e que um dia vai pagar não é nada de tão estranho assim.

Sempre se ouve que um dia o pagamento vai chegar para o padeiro, para o açougueiro, para o senhor do sacolão de verduras, para o locador da casa, do barraco, do apartamento onde se mora.

Sempre se fala que o brasileiro não é um mal pagador, ele é um mal assalariado, e não é comum perceber que a ginástica que se tem no fim do mês está atribuída a qual conta efetivamente é nossa prioridade.

Um mês se paga a água e o aluguel, no outro a luz e o armazém e no meio desta ginástica se economiza os centavos para ter na mesa no fim do mês um saboroso frango ou apenas os  ovos compondo a refeição nas marmitas dos trabalhadores.

A crise que sempre se evidenciou sobre os pobres, no entanto está alcançando outros patamares, e agora os políticos, ou melhor, corrigindo, as administrações também devem e não é pouco.

Da mesma forma como os pobres que devem e prometem pagar dependem da boa vontade dos credores os serviços básicos agora estão á beira da falência em Minas e dependem da boa vontade de gente que segura as pontas aguardando o cumprimento de promessas que sabe-se lá quando vão se tornar realidade.

O SAMU é um exemplo claro disso, os consórcios intermunicipais, a exemplo do CIS-URG Oeste estão enfrentando uma crise econômica significativa devido a falta de repasses do governo de Minas.

Veja bem já são mais de R$ 8 milhões devido ao consórcio, que após contar as moedinhas conseguiu pagar os salários de janeiro, mas os credores, estes ainda estão a aguardar com boa ou má vontade o cumprimento das promessas do governo do Estado.

A ambulância não anda sem combustível, os pacientes não podem ser tratados sem medicamentos, o atendimento não pode ser feito sem estrutura, e no fim a população não pode ficar refém, não pode perder o serviço porque alguém confirma que deve, mas paga quando puder.

Os municípios estão quebrados e as escolas públicas vão voltar as atividades na raça, porque afinal, repasses do Fundeb ainda são devidos, fornecedores ainda não receberam e a merenda da escola será servida quase que por um compromisso moral do que por uma medida econômica e comercial.

A tragédia de Brumadinho decretou a morte de trabalhadores, decretou a morte do rio Paraopeba e vem sendo um bom motivo para que as atenções da crise financeira vivenciada em Minas saia da evidência e se torne um assunto secundário.

Mas não que nós não estejamos incomodados com o que aconteceu em Brumadinho, mas não podemos deixar de lembrar que as finanças de Minas, dos serviços públicos de nosso estado já estão mortas já faz tempo.

E partindo dai temos um governador, empresário que deve não nega e paga como pode, assim pelo menos fez com o 13º dos servidores estaduais que foi dividido em 11 parcelas.

Resta sabermos se efetivamente as dividas para com os municípios serão pagas, se os credores irão receber o que lhes é devido, porque, pelo que tem sido noticiado e notado, o quando puder parece que será tempos tão longínquos que vão cair no esquecimento de um povo que depende da boa vontade dos políticos para que tenham o mínimo de qualidade de vida.

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