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Atentado à democracia

Mauro Soares

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O ano eleitoral, de suma importância para nossa frágil democracia, sofreu um revés na última semana, com o inadmissível atentado sofrido pelo presidenciável Jair Bolsonaro. Felizmente, o quadro clínico do candidato é estável, e sua recuperação tem sido gradativa e satisfatória.

Temos uma aura de nação pacífica, onde impera a liberdade de expressão, e seus cidadãos podem expor seus pensamentos, por mais diversos e controversos que sejam; porém, ao depararmos com tal episódio, nos atentamos para uma realidade que equidista do país patriarcal, visto que este não foi um fato isolado, e sim, o retrato da inaceitação do pensar diferente, que não raramente motiva atitudes de tamanha insensatez.

O desvario de um cidadão, que o leva a materializar o ódio expresso nas redes sociais, é tema para discussões acadêmicas, porém, preocupa sobremaneira, o desenrolar das investigações, que faz-nos crer, que Adélio Bispo de Oliveira, não agiu solitariamente.

A trama arquitetada e suas nuances nos indicam que há muito a ser explicado; outro fato lastimável é a “comemoração” de tantos, nas redes sociais, justificada como se a vítima fosse a motivadora do atentado, dada as declarações contundentes do candidato; uma leviandade.

Quando do assassinato da vereadora Marielle Franco, no Rio de Janeiro, outro triste episódio da nossa história, o jornal “O Estado de São Paulo”, realizou um levantamento acerca dos homicídios com motivação política no Brasil e os números são alarmantes; desde 1979, ano da criação da lei da Anistia, 1.400 assassinatos foram dessa natureza, sendo que, somente nos últimos cinco anos, cerca de 200 agentes públicos foram mortos.

Tragédias já tiveram consequências determinantes na história política brasileira. O assassinato de João Pessoa foi um dos estopins da Revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder. A tentativa de assassinato contra Carlos Lacerda, em 1954, acabou por desencadear o suicídio do próprio Getúlio.

Tragédias também podem ter efeitos menos perceptíveis. No último pleito presidencial, o acidente aéreo que vitimou o então candidato Eduardo Campos mobilizou o país por alguns dias, mas não teve reflexo político suficiente para mudanças substanciais no resultado das eleições, visto que Marina Silva, sua vice, sequer chegou ao segundo turno.

Ainda não temos como mensurar os reflexos desse acontecido na corrida presidencial, embora a primeira pesquisa pós-atentado, sinalize uma crescente do candidato Jair Bolsonaro; fato é, que agora por diante, teremos um cenário modificado, com novos discursos e mudanças de estratégias, motivados pelo fatídico episódio.

Não obstante às mudanças, uma das nossas maiores conquistas, o direito de escolhermos livremente, pelo voto, nossos governantes e legisladores, não pode ser afetado por atitudes abjetas de uns poucos; o salutar dever cívico deve ser exercido de forma plena e consciente, livre, sem a ingerência dos intolerantes.

Que apesar dos pesares, o pleito que se avizinha, seja uma festa democrática, que expresse de fato, o desejo do eleitorado; rogo para que o ressoar das urnas traga a credibilidade, tão em falta nesta Terra de Santa Cruz, e que nossas gentes colecionem motivos para o regozijo.

Abençoada semana, Graça e Paz

MAURO SOARES CORRÊA é casado, pai de duas filhas, bacharelado em ciências contábeis, micro-empresário calçadista, radialista e presidente da Associação São Sebastião de rádio e comunicação.

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