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A maldita herança do socialismo na Venezuela.

Lucas Couto

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O nobel em economia Milton Friedman disse que se o governo ficar a cargo do deserto do Saara, em pouco tempo haveria escassez de areia.

A profecia se cumpriu, e a Venezuela, país que já teve a quarta população mais rica do mundo, se encontra hoje em sua pior crise humanitária, econômica e política. A pobreza alcançou 87% da população, sendo que 61% vive na extrema miséria, e essa tragédia não foi por acaso, a interferência governamental com forte influência de uma corrente ideológica chamada Socialismo, foi a responsável por destruir o país latino-americano.

No início do século XX, a descoberta do petróleo na Venezuela fez com que a poderosa aristocracia agrária do país fosse sobrepujada pela classe industrial, que abriu o mercado do petróleo para o capital estrangeiro e para exploração de multinacionais, com isso, deu início a época de ouro no país, que viria a colher os frutos em anos seguinte e na década de 50, alcançou o auge, se tornando o quarto país com maior PIB per capita do mundo.

A atual situação da Venezuela não é nem de perto aquilo que o país já foi um dia. O colapso que levou nossa vizinha a miséria não aconteceu de uma hora para outra, é algo recorrente de inúmeras medidas populistas e criticadas por liberais e conservadores.

O ponto de virada, ocorreu com Rómulo Betancour, ex-comunista que utilizava de um discurso polido e cativante para aplicar ideias socialistas em uma Venezuela em ascenção.

Conseguiu convencer a classe baixa e média da Venezuela a apoiarem suas bandeiras, em prol de uma forte intervenção estatal nas questões econômicas prometendo medidas de bem-estar social.

Foi eleito democraticamente em 1958, levantando a bandeira da total estatização do mercado petrolífero da Venezuela. Embora não tenha conseguido estatizar por completo o mercado, abriu as portas para seus sucessores. Diversas medidas implantadas por Betancour, foram primordiais para o começo da crise na Venezuela, como a desvalorização intencional do Bolivar (moeda venezuelana), aumento indiscriminado dos impostos e a reforma agrária, que permitia e favorecia movimentos de invasões e ocupações de terra.

Em 1975, o projeto de Betancour foi realizado, com o então presidente Carlos Andrés Pérez, que finalmente estatizou por completo o petróleo venezuelano. Com a estatização do petróleo,  Pérez aumentou a interferência do estado na sociedade, financiando planos assistencialistas e programas sociais, que aumentaram sua popularidade a princípio, mas que começava a desgastar os cofres públicos. A dívida interna e externa crescia lado a lado, e como dizia Milton Friedman, não existe almoço grátis, e uma hora a conta chegaria.

O que veio a seguir a estatização do mercado petrolífero é história. O socialismo que destruiu a União Soviética, fora implantado sutilmente na Venezuela e gerou tudo que estamos vendo hoje. Hugo Chaves, assim como qualquer populista, se colocou como o herói que garantiria justiça e igualdade para todos. Nicolás Maduro endossou o discurso e vem dando continuidade nos planos intervencionistas.
Atualmente, nove em cada dez venezuelanos estão abaixo da linha da pobreza. Caminhões de alimentos são alvos de saqueadores e cruzar o país levando a carga é uma missão impossível.
A água e a energia elétrica se tornaram bens escassos. Hospitais não conseguem esterilizar equipamentos e nem ao menos limpar lençóis e macas com manchas de sangue.

A Venezuela, que um dia foi vista como país em desenvolvimento, se transformou em um laboratório socialista e que mais uma vez, se mostrou desastroso a uma sociedade.

* Lucas Couto - Empreendedor, acadêmico em engenharia civil, coordenador do movimento Livres e defensor da liberdade e da redução da máquina pública.

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